sexta-feira, 17 de agosto de 2012

OPINIÃO


3x4 DE UM MODULENTO NA AMAZÔNIA

M
ais um módulo que se encerra, mais uma vez a sensação de dever cumprido e a certeza que a cada módulo, a cada comunidade, mais amazônida eu sou. Mais um pouco da Amazônia eu conheço, suas realidades, suas riquezas, suas dificuldades, suas agonias, principalmente de sua gente, quanta pobreza, quanto abandono e isolamento, mas também quanta alegria e simplicidade, e nós modulentos de algum modo, por mais que muitos se neguem, estamos fazendo parte dessas realidades. E o que estamos fazendo para muda-las? Ensinando? Só isso é necessário?
O geógrafo Alex Ruffeil
O entendimento que tenho ou passei a ter é que nosso trabalho nessas Amazônias, já que cada comunidade é uma Amazônia diferente com realidades diferentes, é muito maior que o simples fato de educar. Nosso trabalho vai e tem que ir além, temos um papel antropológico, histórico e geográfico, independente da ciência de nossa formação, pois estamos participando e construindo a história dessa rica, imensa e muito desconhecida, por parte de sua população, região. Podemos e devemos ser com essa população a vanguarda nesse contexto.
A cada fim de módulo sinto que deixo um pouco de mim nas comunidades, e de lá trago muito delas em mim, por isso esse sentimento de amazônida cada vez mais impregnado na minha alma, no meu corpo, no meu coração, não que esse sentimento não existisse antes, me sinto muito mais caboclo, e não é porque uso chapéu de palha, e apesar de muitas vezes parecer um ET nessas andanças pelas várzeas e planaltos amazônicos, já que não tenho o biotipo amazônico, fica a certeza que conhecer cada vez mais a realidade de nossa região e de sua gente, para mudá-la, é preciso. É preciso nos apropriarmos de nossa história e geografia e começar, nós amazônidas a reescrevê-la, de acordo com nossa realidade e necessidades, uma história que harmonize homem-natureza.
O modular tem me proporcionado conhecer in loco a realidade de nossa gente, conheci pessoalmente todos os grandes projetos na Amazônia e estudei-os a fundo, conhecer nossa realidade a partir dos grandes projetos é uma coisa, mas conhecer a realidade de nossa região a partir da perspectiva dos povos da floresta é totalmente fascinante, emocionante e apaixonante, o instinto e consciência revolucionária de mudança faz aumentar a certeza de que a luta se faz necessária e permanente. Nós modulentos temos que entender que somos quixotes montados em nosso rucinantes, barcos, bajaras, rabetas, ônibus e ect. muitas vezes sem a companhia do sancho pança e nossas lutas não são contra moinhos de ventos.
E a cada partida, a cada comunidade que fica para trás e no coração, a certeza de que nunca volto o mesmo, não o mesmo da partida, a convivência, as experiências, o aprendizado com essa gente vai moldando ou aperfeiçoando, como queiram, uma pessoa mais humana, mais hulmilde, mais conhecedor de que ainda há muito a ser feito, a ser vivido e aprendido.
Ser modulento nessa Amazônia magnífica, também é ser um euclides da cunha, um jacques cousteau, um emílio goeldi, lúcio flávio pinto, benedito monteiro, dorothy stang e tantos outros, famosos ou anônimos, que de alguma forma contribuíram ou contribuem para o desenvolvimento científico, social, cultural e econômico da Amazônia, sem deixar o rastro da destruição, da miséria e do caos. “...um uirapuru que sonha, sou muito mais eu sou Amazônia”.


Um comentário:

Danielle disse...

Que lindo!! Você expressa tudo aquilo que sinto também como uma modulenta aqui pela região do nordeste paraense (URE Capitão Poço)...